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EDIÇÃO 18 · MAIO DE 2026Pedagogia Suíça. Valores Humanos.

Edição 01

Em foco: Pestalozzi e a Pedagogia Pestalozziana

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Muitas pessoas que visitam o CEMEL perguntam sobre o nosso sistema de ensino, qual é o modelo pedagógico que seguimos aqui. Quando informamos que seguimos o modelo proposto por Pestalozzi, na grande maioria das vezes, os pais nunca ouviram falar, e mesmo os pais que tem conhecimento da área da educação, poucos ouviram falar sobre a obra desse educador tão importante, responsável por um trabalho maravilhoso na Europa, que é fruto de muitos estudos e é a base de tudo o que desenvolvemos no CEMEL.

Johann Heinrich Pestalozzi (1746 – 1827) foi um educador suíço. Sua obra e ação pedagógica são uma das maiores inspirações para qualquer educador sincero e desejoso de bem cumpri sua tarefa. Autor de livros filosóficos, literários, políticos e sociais – sua obra completa, em alemão, conta com 40 volumes – sua preocupação fundamental era sempre a educação do homem, na acepção plena da palavra. Mas como todos os de alma elevada, não se limitou a escrever e teorizar. Foi um fundador de esco-las, um apaixonado educador de crianças pobres e ricas, de órfãos e filhos da elite europeia – deve-se a ele o atual sistema de educação europeu, considerado um dos melhores e mais eficientes do mundo. Foi tutor de uma série de educadores, discípulos seus, filósofos e homens eminentes, que seguiram seus exemplos e suas doutrinas.

Ideias como educação integral, educação ativa, necessidade de acompanhar o ritmo da criança e seu desenvolvimento, educação para a autonomia e outras propostas teóricas e práticas foram amplamen-te discutidas em suas escolas, principalmente no famoso Instituto de Iverdon. Pestalozzi é um universo, em que podemos mergulhar durante anos, sem nunca abranger toda a extensão do seu pensamento.

Seu principal mérito foi o de afirmar e analisar a base afetiva da educação, de forma mais ex-plícita e assertiva que outros pedagogos. Era um homem extremamente amoroso e dedicado, cheio de energia e benevolência. Basta só citar que, durante alguns meses, na aldeia de Stans (Alemanha), ele cuidou sozinho de mais de 80 crianças órfãs, vítimas da guerra e da miséria, muitas delas já com graves sequelas físicas e psicológicas, e conseguiu recuperá-las totalmente.

Ele teorizou e demonstrou que a partir do elo afetivo que se cria entre o professor e o aluno, baseado evidentemente na dedicação sincera daquele, é que se desenvolve um processo pedagógico eficaz, em que ambos crescem espiritualmente.

Pestalozzi não foi apenas um educador de crianças, mas um pedagogo universal. Suas lições de política e moralidade, sociologia aplicada e ciência pedagógica, lições para reis e filósofos, artistas e sábios de seu tempo continuam válidas e interessantes. O leitor que se aventurar a descobrir suas obras poderá verificar por si mesmo que, após o contato com o seu pensamento e sua vida, terá se edificado e transformado profundamente.

O trabalho pedagógico de Pestalozzi é uma trilha cultural, pedagógica, de transformação do mundo em todos os seus aspectos, tratando-se de um imenso impacto nas teorias e práticas no ambiente escolar. Tem o objetivo de formar o homem integral, desenvolvendo suas potencialidades cognitivas, afetivas, sociais, políticas, estéticas e espirituais, permitindo ao aluno cumprir sua tarefa existencial.

Mas, é possível uma escola diferente?

Quando falamos em pedagogia Pestalozziana, podemos definir como uma pedagogia libertária, no sentido de respeitar a liberdade de pensamento e de consciência. Para se ter a convicção de algo, deve-se conhecer todas as posições e ter argumentos para defender suas ideias. Então, a pedagogia de Pestalozzi é inter-religiosa e plural, irmã das metodologias construtivistas que descendem de uma inspiração em comum: Comenius e Rousseau. O que significa isso? Educar não é depositar informações na cabeça do aluno, mas proporcionar-lhe a oportunidade de construir seu conhecimento através das pesquisas, ações, vivências, experiências e projetos. A relação entre o professor e aluno é afetiva, com liberdade. O professor incentiva, contagia, convida, se empenha, é um facilitador, um estimulador, que nunca transmite um conhecimento pronto, fechado. É uma educação diferente, uma educação em que as crianças são amadas, respeitadas e têm liberdade. A escola tem biblioteca, internet, materiais para construir coisas, jardins, etc... no mês seguinte, novos projetos, novas pesquisas, novos trabalhos com poesia, música, ciência, história... as possibilidades são infinitas.

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