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EDIÇÃO 18 · MAIO DE 2026Pedagogia Suíça. Valores Humanos.

Edição 10

Guerra dos Farrapos: como o sul brasileiro desafiou o Império

Imagem publicada com a matéria Guerra dos Farrapos: como o sul brasileiro desafiou o Império
Imagem: Guilherme Litran, Carga de cavalaria Farroupilha, acervo do Museu Júlio de Castilhos

A Guerra dos Farrapos, também conhecida como Revolução Farroupilha, teve início em setembro de 1835 e se estendeu até 1845. O nome “Farrapos” era uma referência aos trajes esfarrapados usados pelas tropas rebeldes.

Esse acontecimento histórico foi uma revolta que ocorreu no território brasileiro durante o período regencial (período intermediário que existiu entre o Primeiro e Segundo Reinado). Essa guerra ganhou notoriedade pelo maior tempo de duração (10 anos) e também foi uma das que apresentaram maior ameaça ao território brasileiro. Ela foi organizada por um grupo de gaúchos. Essa guerra foi encerrada após a negociação de paz dos estancieiros gaúchos com o governo, esse trato ficou conhecido como Tratado do Poncho Verde.

As causas da guerra: A Guerra dos Farrapos aconteceu por conta da insatisfação dos estancieiros gaúchos com a política fiscal do governo brasileiro. No século XIX, o principal produto da província do Rio Grande do Sul era o charque (a carne seca), que era vendido como alimento principal para os escravos do Sudeste e Nordeste do Brasil. Quem produzia o charque eram os charqueadores, que compravam a carne dos estancieiros, os criadores de gado do Rio Grande do Sul. A maior insatisfação destes estava relacionada aos impostos que o governo cobrava sobre a produção de charque da região. O charque gaúcho recebia uma taxa alta de cobrança, enquanto o produzido pelos uruguaios e argentinos tinha uma taxação menor. Esse quadro tornou o produto gaúcho menos competitivo, uma vez que seu preço era maior. O que os estancieiros queriam era que o charque estrangeiro fosse taxado, para que toda essa concorrência fosse justa. No entanto, outras razões ajudam a entender o começo dessa revolta:

- Insatisfação com a criação da Guarda Nacional.

- A circulação dos ideais federalistas e republicanos na região.

- A insatisfação com a negativa do governo em esclarecer os prejuízos causados por uma praga de carrapatos que atacou o gado na região em 1834.

- A insatisfação com a centralização do governo.

Todos esses fatores levaram os gaúchos a se revoltarem com o governo central em 20 de setembro de 1835. Em primeiro momento, a revolta não tinha ideia de separatismo, mas, à medida que a situação avançou, a saída separatista ganhou muita força.

A Revolução Farroupilha tinha como objetivo adotar uma política liberal com mais autonomia para o Rio Grande do Sul.

A principal liderança da rebelião foi de Bento Gonçalves da Silva, que foi o estrategista militar e presidente da República de Piratini, que foi fundada pelos revoltosos. Outros nomes importantes foram o italiano Giuseppe Garibaldi e o militar brasileiro David Canabarro. Eles foram responsáveis por levar a guerra contra o império para a província de Santa Catarina e fundar a República Juliana em julho de 1839, mas essa nova República não durou muito e, em novembro do mesmo ano, o governo já havia voltado a mandar no controle da região.

Essa guerra ficou caracterizada por combates de cavalaria e, em 1842, Luís Alves de Lima e Silva, na época Barão de Caxias, foi nomeado pelo governo brasileiro para colocar fim no movimento.

Com as negociações entre o governo brasileiro e os farrapos estendendo-se por muitos anos, surgiu o Tratado de Poncho Verde, que deu fim ao movimento em 1845. Nesse tratado, os farrapos reconheceram que haviam perdido e finalizaram a revolta em troca de algumas garantias dadas pelo governo imperial.

O resultado do acordo entre o governo e os farrapos:

- Taxação de 25% sobre o charque estrangeiro.

- Anistia para os envolvidos com a revolta. - Incorporação dos militares dos farrapos ao exército imperial.

- Os provincianos teriam o direito de escolher seu próprio presidente (mas, infelizmente, esse item não foi cumprido).

- Os escravos que lutaram ao lado dos farrapos seriam libertados (infelizmente, esse item também não foi cumprido).

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