Edição 11
Amor na adolescência: a influência da internet nas relações afetivas
De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, o indivíduo é considerado adolescente quando tem entre 12 e 18 anos de idade. Para a psicologia e os psicólogos, trata-se de um período da puberdade no qual o indivíduo vive suas primeiras relações amorosas, que participam na organização de sua vida. A maneira como os jovens e adolescentes estabelecem suas relações com o uso da internet motivou a pesquisa nomeada “Relacionamentos Amorosos de Adolescentes e a Internet”, que teve o total apoio da FAPEMIG.
A pesquisa partiu de entrevistas com estudantes de 18 anos da PUC de Minas Gerais que buscou investigar se a internet introduz novas formas de relacionamento afetivo entre adolescentes, as motivações que os levam a buscar parceiros na internet e analisou se a internet introduz uma nova forma de amar ou reproduz as já existentes. A professora Márcia Stengel da PUC Minas, especialista em temas como adolescência, juventude, família, relações afetivas, virtualidade, redes sociais virtuais e gênero, coordenou o projeto. Segundo ela, os relacionamentos na internet, sejam por adolescentes ou não, precisam lidar constantemente com a exposição.
“Nós temos publicizado a nossa vida privada na internet. Então, coisas que eram consideradas mais íntimas e privadas, como os relacionamentos amorosos, que antes eu contava para os meus amigos ou para a minha família, agora tendem a ficar públicas. […] A fronteira entre o público e o privado fica, como eu gosto de dizer, borrada”, conta Stengel.
O adolescente que anteriormente escolhia para quem contar sobre sua vida, com as redes sociais, torna tudo isso acessível para qualquer um. Contudo, a professora aponta que em pesquisas mais recentes ela observou que tanto entre as meninas quanto os meninos entrevistados, fotos, mensagens carinhosas e declarações de amor podem ser postadas, mas as brigas não. Trata-se de um tipo de “etiqueta digital” que define o que deve ou não ser postado e motiva discussões entre os casais.
A ausência física do corpo nas relações mediadas pela internet é vista como uma vantagem para os adolescentes. A professora explicou que nesta fase o indivíduo passa por uma espécie de luto pelo corpo infantil que ele deixa de ter. Neste momento, o jovem pode mostrar as inseguranças e incertezas em relação à descoberta da sua sexualidade. Normalmente, o adolescente se protege psicologicamente até que ele dê conta de enfrentar tudo. Para a professora, as redes sociais são guiadas pela lógica do “Posto, logo existo”. A frase “Penso, logo existo” se refere à constante necessidade de postar nas redes sociais como forma de mostrar e ostentar tudo o que faz para os seus seguidores. As redes sociais têm efeitos subjetivos em cada pessoa, que passa a se autoafirmar de acordo com as curtidas e comentários dos seus seguidores. A professora explica que, em relação aos adolescentes, eles são especialmente potencializados.
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