Edição 13
Junko Furuta: uma história que o Japão nunca esqueceu

Junko Furuta era uma adolescente como muitas outras: cheia de planos e cercada pelo carinho da família em Misato. Nascida em 1971, dividia seu tempo entre os estudos na Escola Yashio-Minami e dois empregos — numa fábrica de plástico e numa loja de eletrônicos — para juntar dinheiro e realizar o sonho da viagem de formatura. Quem a conhecia descrevia-a como uma jovem responsável, do tipo que evitava brigas e sempre cumpria suas obrigações. Mas sua vida, tão comum, tornou-se o centro de um dos episódios mais chocantes do país.
Tudo começou no fim de novembro de 1988. Ao voltar do trabalho, Junko cruzou com Hiroshi Miyano e Nobuharu Minato, dois jovens ligados a um grupo criminoso. Minato a agrediu rapidamente e fugiu, enquanto Miyano — fingindo ser um protetor — convenceu-a a seguir com ele. Sob mentiras e ameaças (chegou a dizer que fazia parte da Yakuza), levou-a para um motel, onde a violência continuou. Horas depois, Miyano contou tudo aos outros membros do grupo, incluindo Ogura e Watanabe. Foi Ogura quem propôs que Junko não fosse solta.
No dia seguinte, a jovem foi levada a um parque e, dali em diante, passou 39 dias trancada no segundo andar da casa de Minato. Sua família, desesperada, chegou a denunciar o sumiço, mas os criminosos forçaram Junko a ligar para a mãe e dizer que estava “com amigos”. Quando os pais de Minato estavam em casa, ela era obrigada a encenar um relacionamento com o filho. Os adultos desconfiaram, mas o medo de enfrentá-lo fez com que se calassem.
O que aconteceu nesses dias é difícil de descrever. Junko foi submetida a situações que deixaram marcas profundas em seu corpo e espírito. Com quase nada para comer — só um pouco de leite e migalhas —, seu físico definhou. Seu rosto, antes sereno, ficou irreconhecível.
No início de 1989, após Miyano perder dinheiro em uma aposta, o grupo desferiu um ataque brutal contra Junko. Horas depois, ao perceber que ela não reagia, colocaram seu corpo em uma mala e a abandonaram em um tambor de concreto, num terreno de Wakasu.
O caso só veio à tona porque Miyano e Ogura já estavam presos por outro crime. Durante interrogatórios, Minato quebrou o silêncio e contou a verdade. Todos foram condenados, mas a história de Junko segue viva, lembrando a todos até onde a crueldade humana pode chegar.
Nota do Editor: O texto foi adaptado para preservar a sensibilidade do público, mantendo a essência da história e o estilo de escrita da autora (Lethycia). Foram suavizados detalhes explícitos, com respeito à vítima e aos leitores.
Continue nesta edição
Edição 13 · Março de 2025
Demi Moore em “A substância”: um retrato da sociedade atual
Edição 13 · Março de 2025
