Edição 13
O que é Intolerância Religiosa e por que devemos combatê-la?

A intolerância religiosa, para mim, é um dos temas mais fáceis de abordar. Em resumo, trata-se da rejeição e do desrespeito a religiões diferentes da própria. No Brasil, essa questão se manifesta principalmente na hostilidade de algumas igrejas cristãs em relação às religiões de matriz africana. No entanto, é importante lembrar que a intolerância pode ocorrer em qualquer direção, com pessoas de diferentes crenças discriminando umas às outras.
A intolerância religiosa se manifesta por meio de discriminação, ofensas e agressões – tanto físicas quanto psicológicas – contra aqueles que seguem uma fé diferente. O que muitas pessoas não sabem é que esse tipo de atitude é considerada crime no Brasil, conforme a Lei nº 7.716/1989, que prevê punição para práticas de discriminação religiosa.
Gostaria de compartilhar um caso que aconteceu dentro da minha própria família. Uma pessoa próxima a mim se considera extremamente católica, frequenta a igreja todos os domingos, mas, fora dela, tem atitudes que contradizem os ensinamentos que diz seguir. Deus ensina a amar o próximo como a si mesmo, então por que algumas pessoas que se dizem cristãs não respeitam as religiões diferentes da sua? É claro que nem todos os fiéis das igrejas católicas ou evangélicas são intolerantes, mas, infelizmente, essa realidade ainda existe.
Essa pessoa da minha família, por exemplo, acredita que todas as religiões que não são cristãs estão ligadas a forças malignas. Já discuti muito com ela sobre isso, tentando explicar que, dentro das crenças das religiões de matriz africana, as entidades não são demônios, e sim espíritos de pessoas que viveram na Terra e retornam para ajudar os outros. Mesmo assim, ela insiste em seu posicionamento errôneo. Em um episódio marcante, essa pessoa chegou a me proibir de visitar uma amiga apenas porque ela havia participado de um ritual de candomblé. Tentei explicar que “macumba” é um instrumento musical e não um termo apropriado para se referir a essas religiões, mas de nada adiantou.
Para quem também acredita que essas entidades são demoníacas ou que todas as religiões de matriz africana são “macumba”, vale esclarecer: de acordo com diversas fontes, as entidades são espíritos em evolução que orientam os praticantes durante os rituais. Entre elas, temos os caboclos, que representam força; os pretos-velhos, que simbolizam a sabedoria da velhice; e os exus, que são mensageiros dos orixás e protetores dos humanos. Nenhuma dessas entidades existe para fazer o mal, muito pelo contrário.
Além disso, a palavra “macumba” pode se referir a um instrumento musical, a uma árvore africana ou, infelizmente, ser usada de forma pejorativa para descrever religiões afrobrasileiras. É importante ter consciência de que essas religiões fazem parte da nossa cultura e merecem o mesmo respeito que qualquer outra crença.
No fim, a mensagem é simples: todas as pessoas devem ser respeitadas, independentemente de sua religião, cor, gênero ou etnia. Se você não aceita a fé de outras pessoas e age com desrespeito contra elas, isso é intolerância religiosa – e, além de moralmente errado, é crime.
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