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EDIÇÃO 18 · MAIO DE 2026Pedagogia Suíça. Valores Humanos.

Ciência e Tecnologia

Crimes cibernéticos no Brasil: dados, causas e desafios

Golpes virtuais são fraudes realizadas no campo cibernético, ou seja, utilizam a internet para enganar pessoas e conseguir roubar dinheiro ou dados das vítimas. As técnicas utilizadas vão desde métodos tecnológicos, como malwares, exploração de vulnerabilidades etc., até métodos sociais, como a engenharia social.

O Brasil, segundo relatórios de 2026 da NordVPN, ocupa o 1° lugar em algumas métricas de fraudes cibernéticas e o 2° lugar em outras métricas, sendo uma liderança regional na América Latina, concentrando 90% de todas as tentativas de ataques cibernéticos da região.

Estima-se que mais de 100 milhões de brasileiros já tenham sido vítimas de algum crime digital até o final de 2024. O cenário é realmente preocupante.

Mas estes dados são recentes e podem passar a impressão de que somente agora a situação se tornou preocupante, mas os dados mostram que esse quadro já era previsto, visto que houve um aumento exponencial deste tipo de crime na última década, sendo o pós-pandemia de 2020 um dos momentos de maior crescimento. A popularização de pagamentos instantâneos também colaborou para este aumento.

Nos últimos 5 anos, a Polícia Federal relatou um aumento de nove vezes (800%) nas investigações de crimes cibernéticos. Para se ter uma noção, a cada minuto ocorrem 1.379 tentativas de golpe no Brasil. Só em 2024, foram registradas mais de 365 bilhões de tentativas de ataques no país.

Ao analisarmos os motivos do crescimento dos golpes, percebemos que cerca de 80% dos crimes cibernéticos não utilizam técnicas complexas, mas sim engenharia social, ou seja, a manipulação psicológica das vítimas para obter dados. Um exemplo seria o golpe do perfil falso no WhatsApp, onde alguém se passa por um conhecido da vítima para tentar obter dados ou benefício financeiro.

Como dito anteriormente, o PIX, um método de pagamento instantâneo, também contribuiu para o aumento dos golpes, pois, uma vez que a transferência de dinheiro tenha sido realizada, fica difícil reverter essa transação, o que tornou este método o preferido por golpistas.

Além disso, temos um novo fator que é determinante para tornar mais difícil a prevenção contra fraudes: a inteligência artificial, como o deepfake, uma tecnologia que permite simular faces e vozes de pessoas. Um exemplo seria um golpista fazer uma chamada de vídeo se passando por um gerente financeiro de uma empresa, onde usa o rosto e a voz deste gerente para ludibriar um funcionário a realizar uma transação financeira sem seguir o fluxo de aprovação.

Através de toda essa análise, fica claro como a estatística é importante para entender o cenário atual, como ele se relaciona com o cenário anterior e o que podemos esperar como tendência no cenário futuro. E, até o momento, o que está claro é que as medidas, tanto no âmbito de políticas públicas quanto de políticas privadas, não estavam e não estão sendo eficazes no combate ao crime cibernético. A pergunta que fica é: o que será feito para que este cenário comece a melhorar?.

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