Edição 03
Batalha de Caseros: Brasil e aliados conquistam vitória decisiva na Guerra do Prata

A Guerra da Prata foi um evento que ocorreu na América do Sul, mais especificamente na região do Rio da Prata, no nordeste da Argentina. A guerra ocorreu entre o Império do Brasil, liderado por Dom Pedro II, em conjunto com os uruguaios do “Gobierno de la Defensa”, liderado pelos Colorados do Partido Colorado, e rebeldes argentinos, com apoio da Bolívia e do Paraguai, contra a Confederação Argentina, liderada por Juan Manuel de Rosas, ditador e comandante argentino do exército, em conjunto com os Federalistas do Partido Federal, o “Gobierno del Cerrito”, que era opositor ao “Gobierno de la Defensa” liderado pelos Blancos do Partido Blanco, partido inimigo do Partido Colorado até os dias de hoje.
No comando do exército brasileiro esta vam: o Imperador Dom Pedro II, Luis Alves de Lima e Silva, chamado de Duque de Caxias, o inglês John Grenffel, Manuel Marques de Sousa, chamado de Conde de Porto Alegre, os argentinos José de Urquiza e Bartolomé Mitre, e os uruguaios Eugenio Garzón e José Miguel Galán.
No comando do exército argentino esta vam: o ditador Juan Manuel de Rosas, Ángel Pacheco, Lucio Mansilla e os uruguaios Ma nuel Oribe e Servando Gómez.
Houve vários motivos que levaram ao iní cio do confronto entre as nações, mas dentre eles, existem cinco causas principais que ante cederam a eclosão da guerra e que devem ser citadas.
A Ditadura de Rosas: Após um certo tempo sem um governo na Argentina, Juan Manuel de Rosas foi eleito governador de Bue nos Aires, e, assim, pôde exercer poder sobre as demais províncias argentinas, visto que o país ainda não possuía um presidente e Bue nos Aires era e ainda é a capital da Argentina. Nesse processo, Rosas conseguiu instaurar a Confederação Argentina. Porém, apesar des sas medidas agradarem uma parte da política do país e de Rosas possuir grandes laços com os Federalistas, uma facção federalista exigia maior autonomia às províncias. Rosas man teve controle total sobre as províncias mesmo assim, através de pressões militares e subor nos. Ao longo desse curto período de 18321835, o governo de Rosas foi verdadeiramente ditatorial, corrupto e despótico, forçando mais de 14.000 Unitaristas a emigrarem para fora do país. Dentre esses, havia adversários polí ticos que desejavam centralizar o país na capi tal. Esses Unitaristas rumaram para o Uruguai em uma tentativa de escapar das repressões.
Guerra Civil no Uruguai: Logo após a independência da Província da Cisplatina e a criação da República Oriental do Uruguai, juntamente com a promulgação de sua Cons tituição em 1830, Fructuoso Rivera foi eleito o primeiro presidente do Uruguai. O presidente tinha um rival chamado Juan Antonio Lavalle ja, conhecido no país por liderar o movimento dos Trinta e Três Orientais e por ter declarado a independência da Cisplatina.
Devido à rivalidade entre os dois políticos, surgiram dois grandes partidos: o Colorado, de centro-esquerda e apoiador de Rivera, e o Blanco, de nacionalistas, liberais e apoiadores de Lavalleja. Devido à rivalidade intensa, os partidários de Lavalleja e ele próprio causaram uma revolta para tentar tomar o poder força damente no Uruguai. Rivera descobriu que o ditador argentino, Rosas, estava interessado em ajudar Lavalleja militar e financeiramente, o que realmente ocorreu. Além disso, Rivera recebeu ajuda de Bento Gonçalves, um estan cieiro do Rio Grande do Sul. Ambos invadiram o Uruguai, causando saques e assassinatos.
Em meio a esse caos, Rosas convenceu o estancieiro a se rebelar contra o Brasil e deixar a Argentina anexar o Rio Grande do Sul, onde ele poderia governar como ditador, assim como Rosas fazia na Argentina.
Rivera cumpriu seu mandato, e Manuel Oribe, do Partido Blanco, assumiu a presi dência do Uruguai. Oribe chegou a se opor à anarquia causada por Rosas e Bento Gonçal ves, mas futuramente viria a se aliar a ambos. Durante esse período, Rivera tentou fazer o mesmo que Lavalleja havia feito durante seu mandato, mas acabou sendo derrotado e fugiu para o Rio Grande do Sul, aliando-se aos Fa rrapos, aliados de Rosas até então. No entanto, o Uruguai foi invadido mais uma vez e quase totalmente dominado, com exceção de Monte video, capital do Uruguai.
Oribe renunciou ao cargo de presidente, Rivera foi reeleito em 1838, e em represália, Rosas enviou um exército liderado por Lava lleja, que rapidamente foi derrotado. Lavalle ja abandonou definitivamente o conflito no Uruguai após essa tentativa frustrada. Rosas não desistiu e enviou outro exército, liderado por Oribe, que obteve sucesso, derrotando as forças de Rivera e decapitando os derrotados. Rivera foi um dos únicos a escapar do massa cre e partiu para o exílio no Rio de Janeiro. O Uruguai elegeu Joaquín Suárez como novo presidente e resistiu ao cerco em Montevideo. Os exércitos de Oribe mataram mais de 17.000 uruguaios e 15.000 argentinos.
Com quase todo o território, Oribe per mitiu que seus exércitos invadissem o sul do Brasil. Mais de 188 fazendas foram saqueadas, 814.000 bois e 16.000 cavalos foram rouba dos, e vários brasileiros foram mortos. Fran cisco de Abreu decidiu, por conta própria, retaliar o Uruguai, organizando as chamadas Califórnias, guerras de guerrilha contra as forças uruguaias e argentinas. Devido à tanta instabilidade e violência na região causada por Rosas, a França e a Grã-Bretanha declararam guerra à Confederação Argentina. Buenos Ai res sofreu diversos ataques e teve seu porto bloqueado várias vezes, mas o governo sobre viveu. Em 1849, França e Grã-Bretanha assi naram um tratado de paz com a Confederação Argentina.
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Edição 03 · Junho de 2023
