Edição 03
Hospital Colô nia de Barba cena: o horror do holocausto brasileiro
O Hospital Colônia de Barbacena localizava-se no Estado de Minas Gerais, na cidade de Barbacena. O Hospício de Barbacena foi fundado em 12 de outubro de 1903 e levava para lá pessoas da rua, sequestradas ou que familiares enviassem. Muitas pessoas sem deficiências ou doenças cognitivas ou mentais eram tratadas como loucos. Médicos e enfermeiras davam pílulas azuis e rosas para os tais “loucos”. Alguns pacientes recebiam choques, não podiam ver a família e, se dois familiares estivessem lá, não poderiam se encontrar. Muitas pessoas normais sem doenças ficavam com traumas e realmente problemas neurológicos depois de ficarem um tempo lá.
O local era semelhante e até pior do que os campos de concentração nazistas. Muitas pessoas de lá, quando morriam, seus familiares não tinham direito de fazer um funeral, e o hospício vendia os corpos para faculdades. Estima-se que 60 mil pessoas morreram, pois elas passavam fome, frio, falta de higiene e outros fatores necessários para que uma pessoa permaneça viva. Não se sabe ao certo quem foram os culpados pelo holocausto que aconteceu neste “hospício”, mas o primeiro diretor deste hospício foi Joaquim Antônio Dutra. Os “pacientes” eram praticamente tratados como escravos, eram mantidos nus e forçados a trabalhar o dia inteiro no hospício.
O governo não ligava para a situação dos pacientes e para como eles eram tratados. Alguns sobreviventes têm memórias, traumas e outras doenças neurológicas causadas pelo tratamento que receberam dentro do hospício. Muitas mortes ocorriam por doenças, já que os pacientes eram mantidos em celas e caso outro paciente morresse, iria demorar para o hospício recolher o corpo do tal paciente morto ou o cadáver já em decomposição dele.
Vários casos de mulheres parindo filhos e filhas eram comuns e também mortes por infecção durante os partos, até mesmo sem o cordão umbilical cortado na hora do parto do bebê. Geralmente, os bebês ficavam lá, mas era mais provável que morressem de fome e doenças, já que não havia comida suficiente para todos. As mães eram praticamente condenadas a morrer, pois, como o cordão não era cortado, a infecção também se espalharia para ela. Um italiano que chegou na cidade falou que era pior do que os campos de concentração nazistas da Segunda Guerra Mundial.
Muitos morreram, mais de 60 mil pessoas, e os que sobreviveram foram transferidos para outros municípios de Minas Gerais, como Belo Horizonte, mas desta vez com boa alimentação e higiene, mas ainda com sequelas do ocorrido em Barbacena. O hospício foi fechado no fim de 1980.
Foto de Mick Haupt na Unsplash
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