Edição 04
A relação de “Carrie, a estranha” com o bullying do mundo real

O longa-metragem com duas indicações ao Oscar, “Carrie, A Estranha” (19762013), adaptado do livro de mesmo nome do renomado escritor Stephen King, trata da história de Carrie White. Ela é uma garota em seu último ano do ensino médio, frequentemente excluída da vida social no colégio e sofrendo bullying de suas colegas de classe.
Além do relevante fato de que a Sra. White, mãe de Carrie, é uma fanática religiosa, chegan do a agredir a filha com um exemplar da Bíblia, justificando que Carrie é uma “pecadora”. A Sra. White também possui em sua casa um cômodo apertado abaixo das escadas do segundo andar, dedicado unicamente para aprisionar e castigar a filha. O cômodo conta com a presença de cruzes e imagens religiosas, com o objetivo de “purificar” a garota.
Carrie, após sofrer bullying em um certo dia, descobre subitamente ter poderes telecinéticos quando está com raiva. Apesar de não controlar muito bem seus poderes, eles manipulam a gravidade a seu favor. Após certo tempo, Carrie é convidada para o Baile de Formatura e lá é eleita a rainha do baile. No entanto, tudo não passava de uma emboscada para a garota. Os votos foram adulterados a seu favor, de modo que quando ela vencesse e subisse ao palco para receber seu prêmio, um balde de sangue de porco fosse derrubado sobre ela. Nesse momento, Carrie entra em um estado de ansiedade e pânico, pois todos começam a rir dela. Não fica claro se todos de fato riem ou se tudo não passa de uma alucinação de Carrie. No entanto, após o trauma, ela inconscientemente usa seus poderes para semear o caos, incendiando o ginásio.
Após o ocorrido no baile, Carrie volta devastada para casa, onde é apunhalada pela própria mãe. A mãe descobre sobre os poderes da filha e acredita que ela seja uma bruxa possuída por um ser maligno. Carrie tenta fugir da mãe, que a persegue pela casa. A perseguição termina com a morte acidental da Sra. White pelos poderes da filha. Após a perda da mãe, Carrie perde completamente o controle sobre seus poderes, fazendo com que sua casa sucumba sobre ela e a mãe. Isso marca a história de sua cidade para sempre.
Apesar de o filme ser muito antigo e violento, ele retrata perfeitamente a vida de uma adolescente que cresceu com uma mãe narcisista e sem amizades, gerando ataques de pânico e ansiedade na garota. Assim como outros adolescentes fora da ficção, Carrie sofre constantemente bullying de seus colegas apenas por não se encaixar nos grupos sociais da sociedade. Isso traumatiza profundamente a garota, que consequentemente não consegue confiar em ninguém ao seu redor devido às condições que vivenciou dentro e fora de casa.
O filme também ilustra as consequências de ter uma mãe narcisista que não consegue enxergar as necessidades da filha, negligenciando-a constantemente e usando sua religião como desculpa para seus atos duvidosos. Além disso, a Sra. White constantemente pede fundos para sua igreja e fala a todo momento sobre sua religião, sendo este o único assunto que ela consegue retratar por ser uma fanática.
Em resumo, o filme nos mostra a realidade de muitas pessoas no mundo em que vivemos, que não têm apoio de colegas e familiares, resultando em consequências irreversíveis em suas vidas. Ele também destaca os principais comportamentos de um fanático religioso e de um narcisismo parental.
Apesar de não ter conexão com o conteúdo do texto, o filme influenciou profundamente a cultura popular com cenas marcantes. Por exemplo, na série “Turma da Mônica” (Globoplay), a personagem Carminha Frufru é atingida por um balde de lama, semelhante ao modo como Carrie é traumatizada no Baile. Na popular série da Netflix, “Stranger Things”, os poderes da personagem Eleven são inspirados nos poderes de Carrie. Além disso, no novo sucesso da Netflix, “Wandinha”, na cena do baile, os esguichos de água para apagar o incêndio são ativados e começam a esguichar tinta vermelha nos alunos, fazendo referência ao banho de sangue que Carrie sofre. Também em “Wandinha”, a personagem de mesmo nome, na mesma cena do baile, após perceber o que está acontecendo, faz uma referência direta ao filme, dizendo: “Eles nem se deram ao trabalho de usar sangue de verdade!” n
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