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EDIÇÃO 18 · MAIO DE 2026Pedagogia Suíça. Valores Humanos.

Edição 07

As polêmicas da Inteligência Artificial

Imagem publicada com a matéria As polêmicas da Inteligência Artificial
Imagem: Foto de Pavel Danilyuk na Pexels

No último dia 14 de fevereiro, a OpenAI, a empresa responsável pela criação do ChatGPT, apresentou para o mundo a Sora, uma Inteligência Artificial capaz de fazer o que alguns anos atrás era considerado impossível: ela consegue gerar vídeos de forma “realista” e “detalhada” com uma duração máxima de 1 minuto a partir de instruções em texto.

A OpenAI afirma no momento que a Sora está sendo apenas testada por um grupo que eles chamam de “Red Teamers”, esse grupo é responsável por garantir que o uso da Sora não produzirá qualquer conteúdo inapropriado ou prejudicial. Além disso, a empresa concedeu o uso da Sora para pessoas que trabalham no ramo audiovisual, para que eles deem feedback sobre como podem tornar o modelo mais útil para essa área. Isso gerou diversas discussões na internet sobre se o uso dessa ferramenta não seria prejudicial para nós, já que essa Inteligência Artificial poderia espalhar notícias falsas ou vídeos de conteúdo nocivo, como pornografia infantil, deepfakes de pessoas famosas em situações perigosas ou explícitas, ou a criação de “revenge porn” (exposição de conteúdo sexual sem a permissão da pessoa, ou nesse caso, a criação de conteúdo sexual feito a partir de Inteligência Artificial).

A OpenAI respondeu a essas alegações dizendo que os “Red Teamers” estão sendo encarregados de garantir que Sora não possa criar tal conteúdo e que teríamos uma ferramenta para identificar se o vídeo foi feito pela Sora. Não é a primeira vez que as Inteligências Artificiais repercutem de forma negativa nas redes sociais. As que têm a pior

“reputação” na internet são as Inteligências Artificiais generativas, que são acusadas de serem usadas de forma imprópria, já que estão sendo frequentemente usadas para espalhar notícias falsas e imagens que ferem a moral de diversas pessoas, principalmente figuras famosas.

Um exemplo de uso impróprio das Inteligências Artificiais generativas foi quando diversos vídeos e imagens sobre um suposto incêndio que estaria acontecendo na Torre Eiffel começaram a repercutir rapidamente nas redes sociais. Com o espalhamento rápido dos vídeos e imagens, diversos portais de notícias do mundo inteiro começaram a desmentir as imagens, dizendo que eram falsas, o que se comprovou como verdadeiro. No entanto, o estrago já estava feito, diversas pessoas de diversos lugares acreditaram que realmente estava acontecendo um incêndio no monumento, dizendo que elas não tiveram a oportunidade de ir à França antes do incêndio na torre. Outro caso famoso de uso errado das Inteligências Artificiais foi no início do ano passado, quando diversas fotos do Papa Francisco usando um casaco estiloso percorreram as redes sociais. Diversos portais de notícias prestigiados documentaram as imagens como sendo reais, só dias depois descobriram que essas imagens eram falsas, feitas por uma Inteligência Artificial. Esses acontecimentos desencadearam uma discussão sobre se deveríamos ou não regularizar o uso das Inteligências Artificiais, já que essas ferramentas poderiam desempregar e ameaçar o emprego de diversas pessoas do audiovisual, ou até mesmo espalhar com muito mais facilidade várias notícias falsas, pois, no futuro, as imagens poderiam se tornar tão realistas que não poderemos distingui-las de uma imagem real.

Outro tipo de Inteligência Artificial que é alvo de polêmicas são as Inteligências Artificiais de vozes, também conhecidas como “dublagem feita por Inteligência Artificial”. Basicamente, a dublagem feita por Inteligência Artificial se refere ao uso de Inteligência Artificial para criar e recriar vozes. A primeira vez que a dublagem IA gerou uma certa polêmica nas redes sociais foi quando a Bandai Namco utilizou a dublagem feita por Inteligência Artificial em um de seus jogos, mais especificamente “Naruto x Boruto Ultimate Storm Connections”. Isso gerou várias críticas, já que a empresa é multibilionária e poderia facilmente contratar dubladores para fazerem o trabalho. Os fãs também criticaram porque a dublagem feita por Inteligência Artificial foi muito malfeita, com frases deslocadas e com um tom considerado estranho. A Bandai Namco afirmou que no jogo não houve nenhum uso de Inteligência Artificial, e que os erros foram resultado de diversas inconsequências durante o processo de edição e masterização, e que as falas no jogo seriam ajustadas em um futuro próximo. Rapidamente, a internet desmentiu a empresa, quando diversas falas do jogo foram colocadas em softwares especializados em detectar dublagens feitas por Inteligência Artificial, o que gerou ainda mais críticas à empresa.

Com a ascensão da dublagem feita por Inteligência Artificial, vários dubladores brasileiros se uniram para formar o movimento Dublagem Viva, com o objetivo de atingir a regulação das Inteligências Artificiais nas produções audiovisuais, já que, pouco a pouco, os trabalhadores da área poderiam ser substituídos por Inteligências Artificiais. O movimento é apoiado por diversos dubladores famosos, como Wendel Bezerra, voz em português do personagem Goku de “Dragon Ball”, Úrsula Bezerra, voz em português do personagem Naruto de “Naruto”, Selma Lopes, voz em português de Maggie Simpson de “Simpsons”, e outros grandes dubladores brasileiros. O movimento também tem apoio internacional, como o da Organización de Voces Unidas, do México, da National Association of Voice Actors, dos Estados Unidos, e da United Voice Actors, uma organização global. Por outro lado, temos diversas pessoas que defendem a dublagem feita por Inteligência Artificial, dizendo que sempre tecnologias novas chacoalham as indústrias e empregos, dando exemplos como o do Telégrafo, que sofreu algo similar por conta das linhas telefônicas.

Assim, podemos ver que mesmo que as Inteligências Artificiais sejam algo novo e inovador, devemos ter consciência em usá-las, já que, com a Inteligência Artificial, temos o potencial de espalhar notícias falsas, principalmente quando são acompanhadas com imagens geradas por ela. E podem ameaçar o emprego de diversas pessoas no ramo audiovisual, como os dubladores e os artistas, que podem ser replicados usando a Inteligência Artificial.

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