Edição 12
Irmãos Menendez: vítimas de uma infância monstruosa ou assassinos cruéis?

O caso de 20 de agosto de 1989 voltou a ganhar visibilidade com o lançamento da série “Irmãos Menendez: os assassinos dos pais” da coleção “Monstros” da Netflix. A série estreou recentemente, em setembro de 2024, e nos mostra mais detalhes sobre como aconteceu esse crime. O assassinato de José e Mary Louise “Kitty” Menendez em Beverly Hills, no dia 20 de agosto de 1989, chocou o público, pois os dois eram pessoas muito ricas e influentes no meio dos investimentos. José Menendez era um grande investidor e empreendedor, mas ninguém suspeitava que seus próprios filhos, Lyle, de 21 anos, e Erik, de 18, cometeriam tal crime.
Na noite do assassinato, os irmãos mataram os pais com uma espingarda. Os tiros foram tão devastadores que os corpos ficaram irreconhecíveis. Após um tempo do crime, os irmãos ligaram para a polícia alegando que estavam no cinema durante o assassinato, sugerindo inúmeras possibilidades de quem poderia ter matado seus pais. Como eles eram populares em seu bairro, e também pelo fato de o filho praticar tênis, argumentaram que muitas pessoas poderiam não gostar da família. No entanto, os irmãos começaram a levantar suspeitas ao gastar uma quantia avaliada em 14 milhões de dólares em joias, relógios, roupas e óculos de luxo, o que levou as autoridades a investigá-los.
Os irmãos tinham um psicólogo, a quem contaram o ocorrido. Contudo, a namorada do psicólogo, após uma discussão com ele, foi até a delegacia e contou tudo o que sabia ao detetive responsável pelo caso. Não demorou para que a polícia fosse até a casa do psicólogo e encontrasse os registros das consultas, que foram usados como prova na acusação.
Em 1993, Erik e Lyle confessaram o crime. Durante o julgamento, foi alegado que o assassinato foi motivado pela arrogância dos garotos, com o objetivo de herdar a fortuna após a morte dos pais. Entretanto, a defesa argumentava que o crime havia sido uma forma de vingança e autodefesa dos meninos, mas poucas pessoas acreditaram nessa versão, já que a família era vista como exemplar. A advogada de defesa, após conversar com os dois, afirmou que o pai, José Menendez, era uma pessoa extremamente agressiva, que cometia atrocidades contra os próprios filhos. Ele espancava os meninos, era um homem descontrolado, que descontava sua raiva nas crianças, jogando pratos e garrafas nas paredes quando estava irritado, além de abusá-los sexualmente. Os garotos tentavam normalizar essa situação para não sofrer ainda mais, mas não conseguiam reagir, com medo de serem mortos pelo pai. A mãe, Kitty, também não gostava dos filhos e sabia dos abusos, mas apenas pensava que os meninos estavam roubando o marido dela.
O caso gerou grande repercussão nos Estados Unidos, mas não havia provas concretas ou testemunhas que confirmassem os abusos sofridos por Erik e Lyle desde os 8 anos de idade. O julgamento durou 7 anos, e a sentença final foi: prisão perpétua sem direito à liberdade condicional.
Muitos acreditam que a pena foi justa, enquanto outros defendem que deveria ter sido mais branda, considerando os motivos graves que os garotos tinham para cometer o crime.
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