Edição 04
Abusos psicológicos e violência doméstica

Como sabemos, abusos psicológicos podem vir de qualquer pessoa, seja de pais, parentes, amigos ou companheiros românticos. Além disso, abusos psicológicos baseiam-se em comportamentos abusivos, manipuladores e cruéis, com o objetivo de controlar ou manipular a vítima, mantendo-a na posição inferior e o abusador como superior.
Todas as ameaças, chantagens e manipulações são formas de violência que não deixam necessariamente machucados visíveis, mas sim afetam a saúde mental da vítima, podendo trazer problemas como depressão, ansiedade e traumas.
Um livro muito conhecido que retrata abusos tanto psicológicos quanto físicos é chamado “É Assim que Acaba”, da autora Colleen Hoover. O livro mostra a história de Lily Bloom, que desde pequena via sua mãe sofrer violência pelo próprio pai. Ela se questionava “por quais motivos ela não larga ele?”, um pensamento que provavelmente qualquer pessoa que tenha visto alguém sofrer violência doméstica pensaria.
Lily pensava assim até se envolver e casar com Ryle, que a fez sofrer violência doméstica assim como sua mãe sofreu. Por incrível que pareça, ela continuou com ele. Podem pensar que seria estúpido da parte dela, mas, em toda a trajetória do livro, vemos dois lados de Bloom lutando dentro de si. Há o lado que ama Ryle, que se prende aos momentos felizes que teve com ele e acredita nas milhares de desculpas que ele diz após agredi-la, culpando-se como se os motivos da raiva de Ryle fossem justificáveis. E há o segundo lado que lembra de seus pais e da dor que sentia ao ver sua mãe passar por isso.
Eisso é o que mais retrata esses abusos. Apesar de estar sofrendo e sabendo que estava em uma relação tóxica, ela ainda o amava. Essa é a parte mais difícil de se separar dessa dor, pois você ainda acredita que pode ser diferente e que isso vai mudar. Você pensa que foi apenas uma vez, que a segunda vez foi só um puxão de cabelo e que você não foi espancada, até acontecer uma, duas, três e outras milhares de vezes. Hoje em dia, criamos uma dependência muito forte em alguém. Lembra-se do quão boa ela era no começo, e que todos têm dias ruins. Quando você percebe, já está em um relacionamento tóxico.
Por esse motivo, dedico este texto a cada Lily Bloom. Por mais doloroso que possa parecer, permanecer e ficar será mais doloroso ainda. A quem passou ou passa por isso, que consiga sair dessa situação, que encontre amor-próprio e tenha empatia consigo mesma. Saiba que você é uma sobrevivente e que não está sozinha.
“Quando estamos de fora, é fácil acreditar que conseguiríamos ir embora num piscar de olhos se alguém nos tratasse mal. É fácil dizer que não continuaríamos amando quem nos trata mal se não somos nós que amamos a tal pessoa. Quando se sente isso na pele, não é tão fácil odiar a pessoa que te trata mal, porque na maior parte do tempo ela é uma bênção divina.” - Lily Bloom n
Continue nesta edição
Edição 04 · Setembro de 2023
Tecnologia e astronomia: uma parceria que revolucionou a ciência
Edição 04 · Setembro de 2023
