Edição 05
Além do conto: a profundidade de Frollo em “O corcunda de Notre Dame”

O juiz Claude Frollo é o principal antagonista do filme “O Corcunda de Notre Dame”, adaptado do livro de mesmo nome. Frollo é considerado por muitos como o vilão mais cruel e realista da Disney, pois, enquanto comete crimes de ódio, este pensa estar fazendo justiça em nome de Deus.
O livro best-seller “O Corcunda de Notre Dame”, também conhecido como “Notre Dame de Paris”, escrito por Victor Hugo e publicado em 16 de março de 1831, aborda a história de Quasimodo: um homem corcunda criado em uma das torres de Notre Dame pelo juiz Claude Frollo. Ao desenrolar do livro, conhecemos a cigana Esmeralda, que desempenha um papel fundamental na história, sendo, por um período, o interesse romântico de Quasimodo e também torna-se o interesse de Frollo. Apesar de abominar os ciganos, Frollo desenvolve uma certa obsessão por Esmeralda, importunando-a diversas vezes. No entanto, ele clama por justiça e pela sua inocência, acreditando que, por ser um servo de Deus, será perdoado pelos seus pecados.
Já em 1996, a Disney adapta o livro em um longa-metragem musical livre para todos os públicos, tornando Claude Frollo ainda mais diabólico e deixando mais explícitos seus preconceitos em relação aos ciganos, pobres e aqueles que ele considera hereges. O filme, dirigido por Gary Trousdale e Kirk Wise, foi um sucesso imediato, arrecadando cerca de U$325 milhões mundialmente.
Agora, voltando a Frollo, no filme de 1996, ele é um homem relativamente alto, velho, utiliza alguns anéis com joias, usa uma batina preta com detalhes em roxo e vermelho, além de ter um rosto enrugado e pontiagudo e um chapéu que remonta às vestes da Europa antiga. Frollo comete diversos crimes ao longo da trama, sendo estes: homicídio, perseguição religiosa, tortura, sequestro, heresia, assédio, agressão, injúria racial, infanticídio, violência psicológica, abuso físico, corrupção, massacre, suborno, incêndio culposo, corrupção passiva, depredação de patrimônio histórico, prevaricação, capacitismo, xenofobia, misoginia, lesão corporal grave, violência patrimonial, abuso de autoridade, negligência, crime de incitação, segregação racial, abuso infantil, complexo de superioridade, maus tratos, eugenia e encarceramento. Frollo justifica todos os seus crimes com seu cargo de juiz e por crer que, na verdade, está sendo justo e bom, além de acreditar que, por ser um servo de Deus, será perdoado pelos seus pecados.
Nesta mesma música, é explícito como Frollo se encantou pela cigana que ele tanto abomina nos versos “Não é a mim a quem culpar, foi a cigana bruxa a me enfeitiçar!” e “Cigana do Inferno, você vai escolher meu beijo tão terno, ou no inferno arder!”.
O personagem se torna mais próximo da realidade quando analisamos o fato de ele crer que está sendo justo e bom, como é o que acontece em diversas situações do dia a dia, onde pessoas que trazem explicitamente o preconceito e o ódio, cegas por um falso senso de justiça e bondade, acreditam trazer a verdade. Além disso, há também o fanatismo religioso e o preconceito com ciganos, o que faz um paralelo direto ao período da Inquisição, onde o livro que se baseia o filme é uma clara crítica à igreja da época.
Assim, podemos concluir que, apesar da antiguidade do livro/filme, os pensamentos de ódio do antagonista ressoam na nossa sociedade até hoje, com preconceitos e fanatismos. O filme citado no texto está atualmente presente no catálogo do Disney+, já o livro pode ser facilmente encontrado à venda pela internet.
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