Edição 08
Lagarta caixão-de-defunto: uma narrativa no jardim

Um dia, no jardim, encontramos uma lagarta diferente chamada caixãode-defunto. Ela era toda preta com listras amarelas e tinha um jeito engraçado de se movimentar.
Descobrimos que ela estava se preparando para virar uma linda borboleta! A lagarta caixão-de-defunto se enrolou em um casulo, como se estivesse fazendo uma casinha para se proteger. Lá dentro, ela iria se transformar em borboleta. Mas, para nossa surpresa, algo inesperado aconteceu. Infelizmente, a lagarta caixão-de-defunto não conseguiu se transformar em borboleta. Ela ficou doente e não resistiu. Mas a história não termina aqui...
Depois que a lagarta morreu, formigas encontraram seu corpo. Para elas, era como se tivessem encontrado um tesouro! As formigas carregaram a lagarta para o formigueiro e lá ela se tornou alimento para outras criaturas do jardim. Com a ajuda do meu pai, conversei no LinkedIn com Pedro Henrique Herculano, biólogo especialista em entomologia que atua na área de pesquisa da ASR Laboratórios, empresa que fica em Charqueada, interior de SP.
Sobre o desfecho desta história real, ele disse: “A maioria das espécies de formigas possuem o comportamento de predar outros insetos, pois é sua principal fonte de alimentação. Dentro do ninho delas (formigueiro), este inseto morto (lagarta) será fracionado em pequenas partes e servirá de alimento para todas as castas (larvas, operárias, soldados e reprodutores). Além de insetos mortos, as formigas também ingerem soluções açucaradas, para complemento de sua dieta. Uma exceção a este comportamento, são as formigas cortadeiras, que por sua vez, cortam folhas e partes de flores para cultivar um fungo dentro do formigueiro, que servirá de alimentação para a colônia inteira”.
UM BREVE RESUMO SOBRE A VIDA DA LAGARTA CAIXÃO-DE-DEFUNTO
Um fato muito curioso, em sua fase de lagarta é que ao sentir-se ameaçada, a lagarta caixão-de-defunto costuma afastar o invasor com a secreção de substâncias de odor muito forte, produzidas por um órgão específico, o osmeterium, que fica localizado no dorso de seu primeiro segmento torácico, e é considerado um órgão de defesa da lagarta. Este ato de defesa parece até “fofinho” pois a lagarta levanta as suas antenas deixando-a bem bonita.
Em sua fase de borboleta, pode chegar até a 130 mm de envergadura, sendo uma espécie bem comum no Brasil. O seu habitat é em clareiras nas matas e em regiões ensolaradas.
Em sua fase de lagarta, se alimenta de folhas de plantas cítricas e em sua fase de borboleta se alimenta de néctar de diferentes flores. Tanto em sua fase de lagarta quanto em sua fase de borboleta é uma espécie de grande porte em relação aos outros insetos, as suas asas podem chegar a medir 13 cm. Mesmo parada, as suas asas continuam em movimento.
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